sábado, 18 de outubro de 2014

Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos - Rio Claro / Mangaratiba RJ

Descobri esse parque em uma das minhas visitas a Serra do Piloto (veja aqui),  O parque resgata a memória de uma das mais importantes cidades no período do café as margens da antiga Estrada Real. São João Marcos na região do Vale do Paraíba, que hoje abriga o primeiro parque arqueológico urbano do Brasil é revisitar uma história que quase foi apagada.
 O Parque Ambiental e Arqueológico de São João Marcos situa-se a vinte quilômetros de uma pequena cidade de 17 mil habitantes em Rio Claro ao longo da rodovia estadual RJ-149 na Serra do Piloto.
Para se chegar à São João Marcos que está 430 metros acima do nível do mar na BR 101 (Rio-Santos) até o município de Mangaratiba, em seguida seguir outros vinte quilômetros pela RJ 149 sentido Rio Claro. A pequena estrada arborizada e com curvas, percorre a Serra do Piloto com um lindo visual para a baía de Mangaratiba.
mirante do Imperador 
  Na estrada, há trechos que permanecem originais da Estrada Real, com o mirante onde Dom Pedro parava para apreciar a vista e quedas d'água pelo caminho. Considerada uma estrada-parque com 'zoo-passagens' para não atrapalhar a fauna local, o caminho até chegar à extinta São João Marcos é bastante arborizado. A Serra do Piloto fica localizada dentro do Parque Estadual do Cunhambebe, uma área verde preservada e um corredor de biodiversidade em plena Mata Atlântica.
A cidade de São João Marcos teve o seu auge em 1870, quando chegou a ter mais de vinte mil habitantes. Na rota do café, foi uma das cidades mais importantes do Império, pois ficava no caminho da Estrada Real, principal via de ligação no Brasil Colônia. A estrada seguia de Paraty, no sul do Rio de Janeiro, até Vila Rica (atual Ouro Preto), em Minas Gerais.

Após a virada da República, em 1889, a cidade já estava vivendo um período de decadência e, na década de 1940, sua população não passava de 4.500 moradores. O fim de São João Marcos foi decretado quando o Rio de Janeiro vivia a iminência de falta d'água e era necessária a criação da barragem de Ribeirão das Lajes. O governo de Getúlio Vargas, durante o Estado Novo, baixou um decreto para retirar os moradores dali, tendo todas as construções demolidas. Na época, Vargas autorizou a empresa Light a aumentar a área da barragem a ser alagada, conversando com a monitora ela contou que a cidade nunca foi totalmente inundada .
São João Marcos foi a primeira cidade no Brasil a ser tombada porque tinha marcos arquitetônicos importantes, mas se rendeu à pressão da energia elétrica e foi 'destombada' para a construção da barragem.
Nas redondezas de São João Marcos existiam 150 propriedades, sendo a principal a Fazenda Olaria, do coronel Joaquim Breves de Souza, considerado o Rei do Café no Império e muito amigo de Dom Pedro. Sozinho, o coronel Breves tinha cerca de seis mil escravos em sua propriedade. Quando a área foi alagada, a Fazenda Olaria não foi poupada.

  Na principal via de acesso às ruínas da cidade, um bosque de Mulungus dá as boas-vindas ao visitante. As árvores percorrem toda a antiga Rua Jorge Americano Freire. No mapeamento arqueológico feito até agora, já foram detectadas dez ruas da cidade.

   O circuito de visitação por toda a cidade leva cerca de meia hora de caminhada, e passa pelas ruínas da Igreja da Matriz, do Teatro Municipal Tibiriçá, da Casa do Capitão-Mor, da Prefeitura e Câmara da cidade e das principais praças, Feliciano Sodré e 5 de Julho.

"A Igreja da Matriz foi a última construção a ser demolida em 1943. Já em 1945, a barragem começou a encher. Na época teve muita resistência da população que se refugiou na igreja para impedir que ela fosse demolida", 

Ruínas da Igreja da Matriz 

Ruínas da Igreja da Matriz 
Ruínas da Igreja da Matriz 

Ruínas da Igreja da Matriz 
Prefeitura e Câmara 

Prefeitura e Câmara 

Prefeitura e Câmara

Centro de Memória

O Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos conforma um museu de território, espaço subordinado a parâmetros específicos de proteção, documentação, estudo e interpretação. 

A concepção museológica se desenvolve em torno de três espaços distintos: o Centro de Memória, a Área de Guarda e o Circuito de Visitação do Parque. Nestes, pretende-se oferecer aos visitantes a oportunidade de trazer para o presente as memórias impregnadas nos fragmentos e ruínas encontrados nas escavações arqueológicas, nos documentos, fotografias, objetos e depoimentos.


O Centro de Memória permite a incorporação frequente de novas informações, através da rotatividade de exposições, exibição permanente de documentários audiovisuais contendo depoimentos recentemente coletados com a história de vida e as lembranças de antigos moradores da cidade.


Todo o ambiente expositivo é sonorizado, com trechos de antigas cantigas de roda, cânticos religiosos e marchinhas de carnaval, trazendo de volta as vozes do passado e o clima festeiro dos marcossenses. Além dos recursos audiovisuais e sonoros estão expostos painéis suspensos, dois tipos de vitrines verticais e embutidas e, ainda, a maquete de São João Marcos que reconstitui, em escala, a configuração da cidade na década de 1930-40. O espaço também conta com dois totens digitais que oferecem acervo fotográfico de fotos e documentos da cidade de São João Marcos.





maquina de fazer manteiga




Fábio observando munições da época 


prensa para fabricação de hóstia sagrada









assistindo a história 








Meio Ambiente

São 930 mil metros quadrados (93 hectares), mais de dois terços dos quais em mata ou pasto, estando localizado às margens da Represa de Ribeirão das Lajes, um dos mais importantes patrimônios ambientais do Estado. 

A área de proteção da Represa de Ribeirão das Lajes, no qual o Parque se insere, tem aproximadamente 25.000 ha, dos quais 5.000 de espelhos d´água. Os 93 ha do Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos representam menos do que 4% dessa área.

A importância da proteção da Represa de Ribeirão das Lajes está não só no seu tamanho e valor ambiental intrínseco como no fato de permitir a ligação entre o Parque da Bocaina, ao Sul, e o Parque do Tinguá, ao Norte, formando um corredor florestal praticamente contínuo de Mata Atlântica, entre o Norte e o Sul do Estado.

O projeto paisagístico do Parque partiu da análise e do diagnóstico da situação física, biótica e antrópica do local, possibilitando o estabelecimento de diversos compartimentos e seus respectivos modelos de paisagem, compondo no todo o continuum paisagístico do Parque.

O conjunto de morros que formam o território do Parque será objeto de um modelo de preservação, com a finalidade de enriquecer, complementar ou recuperar as formações florestais existentes, incorporando-as à trama paisagística final. Será feita a manutenção integral dos fragmentos de mata, os plantios entre fragmentos para formação de corredores e















Eles emprestam binóculo para você fazer a observação de pássaros 


horta orgânica 







Anfiteatro









Como Chegar                                                                                       
Existem duas maneiras de chegar ao Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos, saindo da cidade do Rio de Janeiro.

PELA SERRA
Siga a Via Dutra (BR-116) em direção a São Paulo.
Pegue a saída 237 e, em seguida, vire à esquerda em direção a cidade de Rio Claro.
Ao passar pela entrada da cidade de Rio Claro, vire à esquerda, entre na estrada RJ-149.
Descendo a estrada em sentido a Mangaratiba, a entrada do Parque fica à esquerda da pista, aproximadamente 20km de Rio Claro.

PELO LITORAL
Siga a Avenida Brasil em direção a Santa Cruz.
Entre na rodovia Rio-Santos (BR-101) em direção a Angra dos Reis.
No trevo de Mangaratiba, vire à direita para pegar a Serra do Piloto (RJ-149).
Alguns trechos estão protegidos pelo Patrimônio Histórico Nacional e por isso mantém o calçamento original de pedras e terra.
Subindo a estrada em sentido a cidade de Rio Claro, a entrada do Parque fica à direita da pista, aproximadamente 20km de Mangaratiba.

Endereço: Estrada RJ-149 (Rio Claro-Mangaratiba) Km 20 - Rio Claro/RJ
Visitação: de quarta a sexta-feira, das 10h às 16h - sábados e domingos, das 9h às 17h.
Ingresso: Entrada Franca
Agendamento de visitas (apenas grupos escolares): (21) 2233-3690

Para conhecer um pouco mais dessa história li um artigo muito bom com história da cidade- artigo

Um vídeo muito bom que achei no you tube , com os devidos créditos ao Pina Rossi 

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Festejo Caiçara de Trindade - Paraty

Já amava esse lugar e após conhecer a história me apaixonei ainda mais , um lugar lindo , simples onde conheci pessoas maravilhosas . vamos comemorar com esse povo ?

Trindade promove o Festejo Caiçara
Festa será no próximo fim de semana

A comunidade caiçara de Trindade estará em festa de 17 a 19 de outubro. Serão três dias para comemorar a conquista pela permanência dos trindadeiros em seu território em 1982, após nove anos de dura resistência contra a política de “desenvolvimento” da empresa multinacional Atlantic Community Develoment Group For Latin América (BRASCAN/ADELA), que previa a construção de um condomínio de luxo no território caiçara.

A disputa teve início após a construção da BR 101 (Rodovia Rio-Santos). Esta região esquecida do litoral fluminense se transformou em alvo da especulação imobiliária e uma luta com direito a cenas de violência foi travada entre os caiçaras e homens armados. Localizada a 20 km do centro de Paraty, Trindade possui sete praias e uma comunidade tradicional que na década dos anos de 1970 resistiu à forte pressão do poder do Governo Federal da época. Com direito a bloqueios das estradas de acesso, destruição dos plantios de subsistência e derrubada das casas de pau a pique, a resistência caiçara venceu pelo cansaço. O que era destruído de dia era reerguido a noite pelos pescadores e suas famílias. Muitas famílias desistiram de permanecer e brigar pelas suas terras, mas hoje Trindade é um conhecido ponto de turismo brasileiro que ainda luta para manter os direitos dessa comunidade tradicional. 


A prefeitura de Paraty preparou uma programação bem bacana
O Festejo Caiçara da Trindade será uma oportunidade para viver a folia, o fandango, a gastronomia, a corrida de canoas e os conhecimentos caiçaras dentro da comunidade. Para Robson Possidônio, a festa manterá a tradição de 32 anos. “Essa festa é uma comemoração que não é unânime entre nós caiçaras, mas apesar de terem reduzido o nosso território, ainda temos o espaço de plantio, de pesca e de vivências da nossa cultura.”
A festa tem o apoio da Prefeitura de Paraty.

Serviço:
Festejo Caiçara de Trindade – de 16 a 19 de outubro
Programação:
16 de outubro, quinta-feira
19h - Culto de Ação de Graças (Igreja Assembleia de Deus)

17 de outubro, sexta-feira
08h - Café Caiçara (Escola de Trindade)
09h às 12h - Plantio de Mudas de Juçara e Limpeza de Praia (Saída da Escola de Trindade)
15h - Futebol (Campo)
17h - Abertura da Exposição Fotográfica (Espaço Trindade)
17h30 - Apresentação de balé das crianças de Trindade (Espaço Trindade)
18h30 - Espetáculo Memórias da Trindade (Sede da AMOT)
20h30 - Abertura Oficial do Festejo (Palco)
21h - Apresentações Musicais (Palco)
Apresentações de Fandango
Cirandeiros
Voz da Natureza

18 de outubro, sábado
08h - Café Caiçara (Escola de Trindade)
09h - Encontro Caiçara (Rancho – Praia do Meio)
13h - Almoço comunitário (Escola de Trindade)
15h - Oficinas (Tenda das oficinas)
18h30 - Espetáculo Memórias da Trindade (Sede da AMOT)
19h - Mostra de Documentários (Espaço Trindade)
20h30 - Apresentações Musicais (Palco)
Apresentações de Fandango
Luiz Perequê
Davi DeTrinda

19 de outubro, domingo
08h - Café Caiçara (Escola de Trindade)
09h - Corrida de Canoa (Praia dos Ranchos)
13h - Almoço comunitário (Escola de Trindade)
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